Faça AQUI o teste de
Controlo da sua Asma

Importância da adesão à terapêutica no Controlo da Asma

Importância da adesão à terapêutica no Controlo da Asma Rita Gerardo, Médica Pneumologista no Centro Hospitalar Lisboa Central, Hospital de Santa Marta

A asma é um problema a nível mundial estimando-se que afete cerca de 300 milhões de indivíduos. No nosso país calcula-se que a asma atinja cerca de 1 milhão de portugueses (Inquérito Nacional da Prevalência da Asma).

A asma caracteriza-se por inflamação crónica das vias aéreas. É definida pela presença de vários sintomas respiratórios, os quais podem variar ao longo do tempo e em intensidade. Os sintomas podem resolver espontaneamente ou em resposta à medicação administrada e podem permanecer ausentes durante semanas a meses. Por outro lado, os doentes podem sofrer crises de asma as quais podem ser muito graves e condicionar um encargo significativo para os próprios e sociedade.

Trata-se assim (na grande maioria dos casos) de uma doença crónica, isto é, a doença irá permanecer ao longo da vida, não tem cura. Tem, no entanto, tratamento, ou seja, com a medicação e cuidados de saúde corretos pode ficar controlada e não se manifestar tão frequentemente.

O nível de controlo da doença é avaliado com base na presença e frequência de sintomas diurnos e/ou noturnos, necessidade de medicação de alívio e limitação de atividades condicionada pela presença destes sintomas. A presença de asma não controlada é um fator de risco para o desenvolvimento de crises de asma (vulgarmente conhecido pelos doentes como “ataque de asma” apesar desta definição estar em desuso há vários anos).

Na maioria dos casos o controlo da doença é facilmente atingido, no entanto, num grupo de doentes a asma permanece mal controlada devido a tratamento subótimo.

A má adesão à terapêutica é definida como falha no cumprimento do plano terapêutico decidido na consulta médica. Estima-se que metade dos doentes com asma sob terapêutica crónica não tomam a medicação de acordo com o guia de tratamento. Os riscos associados ao não cumprimento incluem aumento do número de hospitalizações associadas à asma, idas ao serviço de urgência, consultas médicas não programadas, absentismo escolar e diminuição da qualidade de vida do doente e família.

A má adesão pode ter várias causas, intencionais e não intencionais. A dificuldade em utilizar o dispositivo inalatório (vulgarmente referido pelos doentes como inalador ou “bombinha”), quer por desconhecimento, quer por dificuldade motora, é um dos fatores dentro do grupo de causas não intencionais. Também a utilização de vários dispositivos diferentes e várias tomas diárias dificultam a adesão. Outros fatores incluem o esquecimento, a ausência de rotina diária e o custo. Nas causas intencionais, a ideia de que o tratamento não é necessário, a negação da doença, expectativas inapropriadas, preocupações relativas aos efeitos adversos (existentes ou receadas), questões culturais e ideias preconcebidas e o custo são as outras razões para a má adesão.

A adesão à terapêutica é essencial para atingir o controlo da asma e assim a qualidade de vida tão desejada.

1. Observatório Nacional das Doenças Respiratórias 2016. www.ondr.pt

2. Global Strategy for Asthma Management and Prevention 2017. www.ginasthma.org

Fonte: Artigo publicado no Dossiê Especial Saúde, suplemento integrante do Diário de Notícias e Jornal de Noticias de 18 de abril de 2017

PRT/AST/0002/17l Data de preparação: Julho 2017