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Controlo da sua Asma

Podemos medir a asma!

Podemos medir a asma! Rui P. Costa, Especialista em Medicina Geral e Familiar na Sãvida, Porto, Coordenador do RESP

Asma é uma doença respiratória crónica muito frequente que afeta indivíduos de todas as idades e causa um elevado nível de incapacidade e limitação para as pessoas com asma. Sabemos que um grande número de asmáticos não estão controlados, apesar de existirem presentemente múltiplos e efetivos tratamentos para alcançar e manter o seu controlo total por prolongados períodos de tempo e evitar o risco futuro de agravamento da doença, de complicações, de internamentos ou de mortalidade.

O especialista em Medicina Geral e Familiar tem um papel fundamental na identificação das pessoas com asma e na implementação da melhor e mais adequada estratégia de controlo e tratamento para cada doente, de modo a controlar a sua doença e a sintomatologia diurna e noturna, a prevenir o aparecimento de agudizações, a melhorar significativamente a qualidade de vida e a contribuir para que se mantenham fisicamente ativos. No entanto, a maior parte das vezes, os asmáticos só recorrem à consulta do seu Médico de Família numa situação de crise, ou seja, de agudização da sua doença, nomeadamente quando ficam com falta de ar, sibilância, tosse, sensação de aperto no peito e apresentam uma maior dificuldade em respirar que limitam significativamente a realização das suas atividades da vida diária. Mas a pessoa com asma deve ser sempre acompanhada regularmente pelo seu Médico de Família e fazer diariamente e por longos períodos a medicação de controlo da sua doença e não apenas só nos períodos de maior dificuldade respiratória ou de crise.

A base do tratamento da asma consiste na inalação regular de medicamentos que vão controlar a inflamação persistente e crónica das vias aéreas, prevenir as agudizações e permitir que as pessoas com asma tenham uma vida normal. Uma vez que é necessário que os medicamentos que estão contidos nos dispositivos inalatórios cheguem às vias aéreas, aí se depositem e atuem combatendo a inflamação, dilatem as vias aéreas e assim permitam que os asmáticos passem a respirar melhor e a não terem qualquer limitação na realização da sua vida diária.

No entanto, na vida real a maior dificuldade reside na utilização correta dos dispositivos inalatórios e na sua utilização diária e prolongada. Para combater o incorreto uso dos dispositivos inalatórios, é essencial ensinar corretamente as pessoas com asma na sua adequada utilização e na regular verificação da sua utilização correta e ver o asmático a utilizar o seu inalador pela equipa de saúde, pelo médico e/ou enfermeiro.

Existem questionários validados que permitem avaliar de uma forma simples e rápida o nível de controlo da asma.

Os mais usados em Portugal são o ACT (teste de controlo da asma, disponível em www.asthmacontrol.com) e o CARAT (teste de controlo da asma e da rinite alérgica, disponível em www.caratnetwork.org) que permitem quantificar o nível de controlo da doença. Caso seja usado o questionário ACT, composto por 5 perguntas, considera- se que o asmático está controlado quando obtém uma pontuação superior a 20 pontos, com um máximo de 25 pontos. Ao aplicarmos o questionário CARAT desenvolvido em Portugal, com 6 perguntas dirigidas para as vias aéreas inferiores e presentemente disseminado o seu uso a nível internacional a obtenção de um valor superior ou igual a 16 para um máximo de 18 pontos carateriza o controlo da asma. O questionário CARAT também permite avaliar uma outra comum doença alérgica das vias aéreas superiores, a qual está frequentemente associada à asma, que é a rinite alérgica. Neste caso, o questionário é composto por 10 questões e um valor superior a 24 indica um bom controlo e a obtenção de um valor máximo de 30 pontos indica controlo total de ambas as doenças.

Também existem versões destes questionários para avaliação do controlo da asma nas crianças, existindo uma versão do CARAT Kids disponível em português a ser preenchido pela criança ou pelos pais ou tutor. Toda a pessoa com asma tem presentemente a capacidade de em parceria com os profissionais de saúde, nomeadamente com o acompanhamento regular pelo seu Médico de Família, a grande oportunidade de não viver em esforço e com falta de ar e juntos obterem o melhor controlo e assim conquistarem e vencerem a asma.

Fonte: Artigo publicado no Dossiê Especial Saúde, suplemento integrante do Diário de Notícias e Jornal de Noticias de 18 de abril de 2017

PRT/AST/0002/17l Data de preparação: Julho 2017