Faça AQUI o teste de
Controlo da sua Asma

A asma em números

A asma em números João A. Fonseca, Imunoalergologista, Professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Investigador no CINTESIS e Vice-Presidente da SPAIC

A asma é uma doença respiratória muito frequente com impacto importante na qualidade de vida e potencialmente grave.

Afeta crianças e adultos e, embora não tendo tratamento curativo, os tratamentos disponíveis atualmente podem e devem permitir um bom controlo da doença. Isto é não ocorrerem sintomas incomodativos, nem quaisquer limitações e não surgirem as “surpresas” das crises de asma.

Estima-se que a asma afete 200 a 300 milhões de pessoas em todo o mundo e cerca de 75 milhões de europeus. Em Portugal, mais de 10% das pessoas tiveram ou virão a ter asma em algum período da vida e, atualmente, 700 mil Portugueses têm asma ativa (6,8% da população).

Os sintomas de asma podem começar logo nos primeiros anos de vida, mas também podem surgir na idade adulta ou mesmo na 3.ª idade. É uma doença crónica, mas com flutuações importantes dos sintomas que criam a sensação de que só existe em períodos de agravamento. A asma manifesta-se por falta de ar, chiadeira no peito, tosse irritativa, que surge principalmente à noite ou com o exercício. Com frequência essas queixas surgem após exposição a alergénios (pó da casa, gato, pólen, etc.), e após “viroses respiratórias”,  ou, por vezes, com exposição a ar frio ou a fumo de tabaco e outros ambientes irritativos. A asma continua a ser uma doença subdiagnosticada e subtratada, embora também já ocorram situações em que existe excesso de tratamento e diagnósticos mal atribuídos. O diagnóstico de asma é baseado na avaliação clínica dos sintomas, que são devidos a obstrução variável dos brônquios que ocorre com a inflamação (frequentemente alérgica). Essa obstrução variável deve ser confirmada por provas de função respiratória, incluindo a chamada prova de broncodilatação. O diagnóstico de uma possível causa alérgica é mais eficientemente feito por testes cutâneos e a identificação do(s) alergénio(s) permite um plano terapêutico mais personalizado, incluindo um reforço da medicação preventiva, em períodos com maior risco.

De acordo com o Inquérito Nacional sobre Asma, só cerca de metade dos portugueses com asma têm a sua controlada, o que acarreta pior qualidade de vida e maiores custos de saúde. Uma das consequências do mau controlo é o risco de agudizações graves de asma (as crises de asma), até com necessidade de internamento hospitalar. Em Portugal, o número de internamentos por asma tem vindo a diminuir, mas mantêm-se elevados nas crianças. Dados do Inquérito Nacional sobre Asma indicam mesmo que uma em cada três crianças com asma foi internada por asma pelo menos uma vez na vida!

Para vencer a Asma, é preciso mudar a perceção das pessoas

Vencer a asma significa não ter sintomas, não ter ataques nem crises de asma, não ter limitações nem interferência da asma na qualidade de vida, na vida familiar e social. Vencer a asma é hoje possível para mais de 95% das pessoas com a mesma,  e não podemos continuar a tolerar o impacto negativo que esta doença ainda tem para tantos portugueses. O primeiro passo é que as próprias pessoas com asma não se resignem, não aceitem como “sina” não poderem rir, dançar, pegar nos filhos ou dormir sem serem incomodados pela tosse ou falta de ar. No Inquérito Nacional sobre Asma (INASMA) observamos que 9 em cada 10 portugueses que não tinham a sua asma controlada achavam que estavam controlados, talvez por compararem com alturas em que estavam pior com uma agudização da asma. Ora isso está longe de ser o objetivo! É mau controlo de asma ter sintomas mais do que um dia por semana ou uma noite por mês, ou uma crise por ano. E sabemos que ter mau controlo da asma aumenta o risco futuro de crises e de perda de função pulmonar. Infelizmente, parece por vezes mais fácil desistir de fazer com que a asma fique controlada, é preciso que cada pessoa com asma assuma como objetivo vencer a asma. Hoje, com a medicação inalada que temos disponível é possível viver sem o constante receio de ir ter uma crise, de evitar isto ou aquilo com medo de desencadear sintomas. Para a grande maioria das pessoas com asma basta fazer o inalador certo, de forma correta e continuadamente (ou seja, boa adesão ao tratamento e correta utilização dos inaladores). E mesmo para as pessoas com asma grave, que são menos 5% das pessoas com asma, existem já terapêuticas biológicas inovadoras que podem melhorar muito a asma e reduzir o risco futuro. Para estas pessoas com asma grave é necessário melhorar o acesso a estas terapêuticas quer nos hospitais públicos, quer através dos seguros de saúde privados ou públicos (como a ADSE). É que comparando o número de doentes tratados em Portugal com o de países similares é cada vez maior a diferença, o que parece indicar uma limitação desadequada do acesso a estes tratamentos.

Às pessoas que têm asma, queremos dizer que é possível vencer a asma, mas para isso o tratamento continuado e adequado é fundamental. Queremos ouvir cada vez mais “a asma já não é um problema para mim, há anos que não tenho crises,” e também que “já não há nada que não faça por medo de ter sintomas de asma”. É para contribuir para que cada vez mais portugueses com asma consigam estes objetivos que está a decorrer a campanha “Vencer a Asma” em que juntamente com a GlaxoSmithKline participam as mais importantes organizações relacionadas com a asma em Portugal, como a SPAIC (Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica), a APA (Associação Portuguesa de Asmáticos), a SPP (Sociedade Portuguesa de Pneumologia), a Fundação do Pulmão, a ANF (Associação Nacional de Farmácia) e GRESP (grupo de médicos de família interessados em patologia respiratória da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar). No site www.venceraasma.com pode saber mais sobre esta campanha e quando é que vai passar pela sua região. Vai poder falar com médicos que estarão disponíveis para responder às suas questões e poderá fazer gratuitamente uma avaliação fácil da sua função respiratória através de uma espirometria.

Fonte: Artigo publicado no Dossiê Especial Saúde, suplemento integrante do Diário de Notícias e Jornal de Noticias de 18 de abril de 2017

PRT/AST/0002/17l Data de preparação: Julho 2017